Processo de um lettering

Na semana retrasada eu estive no workshop Brush Pen Letters do Jackson Alves. Embora eu já trabalhe com a brush pen há um bom tempo e tenha feito Fibra, o workshop da Silvia que apresenta bem como usar a ferramenta, sempre dá pra aprender alguma coisa nova a partir da abordagem de cada profissional. Além disso eu gosto de passar o dia todo desenhando letras como vocês já devem ter percebido 😀

Sempre que estou num workshop com a mente apta ao aprendizado eu sinto que a experimentação flui um pouco melhor, e procuro usar os exercícios que são propostos para criar algo que não esteja na minha listona listinha de projetos. Desta vez, entre outras coisas, aproveitei a dica do Jackson para fazer um lettering desenhando com hachura (estou bem mais acostumada a desenhar a partir do contorno). A técnica é também muito usada para o desenho de fontes e vocês podem ver neste vídeo abaixo, com Gerrit Noordzij, tipógrafo holandês que disseminou essa maneira de desenhar:

[vimeo http://vimeo.com/10521941]

No meu caso eu peguei uma lista de palavras que tinha no celular, escolhi “Youth” e comecei a rabiscar. De primeira saiu uma cursiva bem clássica. Analisando depois, quis aumentar o contraste entre os traços, até que resolvi fazer super exagerado, afinal o legal do lettering é tentar ir além do que a caligrafia ou a tipografia podem fazer.

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O segundo sketch que fiz pra aumentar o contraste acabou saindo bem esquisito hehehe… Fui aumentando o peso dos traços sem pensar muito, foi ficando expandido e não era essa a minha ideia. Dá-lhe mais papel vegetal para corrigir o espaçamento, aumentar a altura de x, condensar e definir melhor os floreios.

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Do terceiro sketch eu resolvi partir logo para a vetorização e fazer os ajustes finais, padronizando espessuras, inclinação e bifurcações. Fiz tudo no FontLab.

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… E o resultado foi esse:

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Agora um gifzinho 🙂

lettering_processoGIF

A magia do alfabeto

Você já parou pra pensar na origem e no significado das letras? Já percebeu, em algum momento, que apesar da infinidade de possibilidades de desenho de um ‘A’, seguimos identificando aquele signo sem ter que pensar duas vezes?

Pois eu já pensei em tudo isso e essa ideia me encanta. Apesar de não ter sido uma inquietude natural (foi preciso chegar na faculdade, num curso de Design, e ter algumas aulas que abririam as portas do mundo tipográfico para mim), continuo intrigada com a História da caligrafia, da tipografia, dos alfabetos e escritas, das milhares de maneiras de representar as palavras e o impacto das formas tipográficas sobre a interpretação e o engajamento do leitor em relação a um texto.

O estudo da caligrafia permite, entre outras coisas, que entendamos a influência das ferramentas utilizadas na escrita sobre o nosso alfabeto. Os traços e limitações das penas planas, pincéis e penas de bico determinaram os fundamentos do desenho das letras como as conhecemos hoje, e sua evolução técnica através dos tempos gerou as inúmeras variações formais de que dispomos hoje em dia.

Johnston_caligrafia_pena

A imagem acima (retirada do livro Writing & Illuminating & Lettering, do Edward Johnston) ilustra muito bem como os ângulos e maneiras com que se manipula a pena influenciam diretamente na espessura dos traços e nas relações de contraste das letras. É daí que vieram as formas que guiam as tipografias que mais usamos para a leitura até hoje.

Neste novo blog quero trazer um pouco mais do universo das letras pra vocês. Vamos trocar idéias sobre caligrafia, tipografia e o que mais for relacionado ao tema. Sejam bem-vindos!