Hoje vamos falar um pouco sobre os famosos tira linhas!
Os tira linhas são originalmente instrumentos de desenho para fazer… linhas! Até que um dia alguém resolveu usá-los para caligrafia, e o que se obteve foram gestos mais expressivos e livres, splashes, texturas, etc. A partir disso houve uma experimentação no sentido de descobrir formas alternativas de pena para usar e o efeito que elas podem produzir, e surgiu então a cola pen. Veja nos vídeos a seguir as calígrafas Maria Eugenia Roballos e Francesca Biasetton demonstrando o uso dos tira linhas tradicionais:
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A cola pen, derivada dos tira linhas propriamente ditos, tem a superfície de desenho arredondada e uma ponta fina, o que permite fazer traços largos e finos em qualquer direção, e girar a pena enquanto escreve com mais facilidade que uma pena tradicional. Na Argentina são vendidas as plumas Luthis, que são fabricadas com chapas de offset e exploram diversos tamanhos e formatos. Abaixo eu mostro algumas delas (tenho 4 modelos, são 15 no total) e o resultado do traço.
Polillita (mariposinha)
A polillita tem a superfície de escrita quase plana como a de uma pena normal, porém um pouco inclinada e como uma leve curvatura na extremidade oposta à ponta fina. É ideal para fazer traços mais consistentes e alfabetos mais clássicos (pelo menos é o que eu acho, mas com tira linhas cada um faz o uso que achar mais conveniente).
Butterfly
A butterfly é parecida com a polillita mas tem a superfície maior e a face lateral mais reta. Gosto de usar essa pena grande pra fazer letras fora da proporção, ou seja, de altura-x quase igual à largura da pena, pra ficar meio truncado, falhado, desengonçado…
Libélula
A libélula é minha preferida! Ela tem a superfície bem curva, parece uma faquinha, e é bem pequena, criando traços finos e “rasgados”.
Abanico (leque)
O abanico é bem diferente das outras penas, tem a superfície totalmente redonda, permitindo o giro livre da pena. É o mais complicadinho de usar, na minha opinião. Alguns vídeos mostrando o manuseio das penas:
[youtube=www.youtube.com/watch?v=uJiySyEF96Y]
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Essas penas podem ser compradas em papelarias artísticas e online. Mas também é possível fazê-las em casa, com latinhas de refrigerante, e criar novos formatos.
Como fazer uma cola pen
Material: lata de alumínio, estilete, tesoura, fita adesiva e um lápis, hashi, qualquer coisa que possa ser usada como cabo para a pena
1. Corte as bordas da latinha
2. Corte o que sobrou em pedaços menores
3. Dobre e corte no formato desejado da pena. Você pode ajustar o formato depois que testar a pena, às vezes precisa fazer um pequeno corte na ponta.
4. Junte a ponta ao cabo com a fita adesiva. Cuide para não deixar o cabo muito pra cima, gerando uma abertura muito grande na parte inferior da aba.
Aí é só escrever! As penas mais toscas costumam gerar os efeitos mais legais 🙂
Como escolher uma tipografia dentre tantas opções, ou como evitar usar sempre as mesmas? A fonte usada em um texto é tão importante quanto seu conteúdo, e é preciso analisar sua personalidade e legibilidade para saber como aplicá-la corretamente. Fiz esse texto pensando em quais seriam as questões mais básicas na hora de selecionar quais tipografias usar, tendo como base alguns artigos e um pouco da minha experiência.
A primeira coisa a fazer é considerar qual é o assunto e o tom do texto. É uma notícia, uma receita, uma piada, um aviso, a sinalização de aeroporto? Cada texto pede um estilo tipográfico diferente, assim como cada ambiente pede um tipo de mobiliário (ou poltronas, segundo Stephen Coles) ou cada momento pede uma roupa mais apropriada (Smashing Magazine). Você não iria à academia com um vestido de gala, iria? A palavra chave aqui é adequação. Mas como saber qual é tipografia adequada?
2. Observe seu tipo
Avalie se as qualidades formais da tipografia correspondem ao que seu conteúdo pede. Uma forma simples de testar isso é atribuir adjetivos ao assunto e buscar uma tipografia que de certa forma converse com esses adjetivos. Considere também o meio onde o seu conteúdo será publicado para avaliar se a tipografia tem boa leitura no suporte que você está usando, no tamanho que você precisa e de acordo com as dimensões da página, linha ou coluna propostas. Pesquise caraterísticas históricas se sua intenção é remeter a uma determinada época ou local.
3. Verifique o set de caracteres
Especialmente se estiver usando uma tipografia grátis. Não tem por que usar uma tipografia que não tem os acentos, símbolos e pontuação que você vai precisar. Veja também se a tipografia tem as opções de variações que você pretende usar (light, bold, itálica, condensada, etc).
4. Conheça seu tipo
Captura de tela do site da Bold Monday, mostrando a indicação de uso (editorial) para uma das tipografias que eles desenvolveram.
Já tem algumas opções em mente? Vá atrás da história dessas tipografias. Quem é o autor, qual foi o ano de lançamento, para qual função ela foi pensada, a partir de quais referências? Uma rápida busca pelo MyFonts ou no site da type foundry te ajuda a responder essas perguntas e a assegurar o uso adequado da tipografia escolhida.
Vale também dar uma olhadinha em outros projetos que já usaram essa tipografia, ou projetos do mesmo segmento que você está tratando. No site Fonts In Use é possível buscar imagens de tipografias sendo usadas, de acordo com esses critérios. Você pode observar o seu funcionamento, descobrir se tal tipografia já está muito associada a determinado objetivo ou conceito, e decidir se vai reproduzir ou contrastar com esse discurso.
A intenção desses passos é reduzir gradualmente o número de opções e facilitar a escolha, por isso é importante começar analisando o conteúdo e determinando o estilo tipográfico apropriado. E então, dentro deste estilo, encontrar um fonte que represente melhor a familiaridade ou originalidade que seu conteúdo pedir.
Em 2013 eu fiz uma viagem pra Nova Iorque que coincidiu com alguns eventos legais de tipografia. Um deles foi um tour tipográfico com Paul Shaw, conhecido como Type Walk, pelas ruas de Tribeca (alguns meses antes ele tinha feito o tour por São Paulo, pelo tpc10, mas não pude ir). Sair fotografando a tipografia das ruas é um ótimo exercício de observação e de entendimento histórico, dessas fotos costumam sair novas teses e até novos projetos tipográficos. Resolvi resgatar algumas imagens do HD pra compartilhar com vocês!
Fachadas de edifícios antigos
Durante um certo período nos Estados Unidos era comum fazer esses letreiros nos topos dos prédios com o nome da construtora e o ano de construção. Nada melhor para identificar quais tipografias eram usadas na época! Além disso sempre tem umas soluções de composição bem inusitadas…
Ghost Signs
Ghost signs são marcas de propagandas antigas nas laterais dos prédios que já estão quase invisíveis. Haviam várias no bairro que visitamos, e eu acho super legal quando descubro algumas por São Paulo.
Neon
No meio do caminho tinha uma loja de letreiros em neon e luminosos, sensacional! Olhem esse M gigante de acrílico!!
Outras fachadas, pilastras, hidrantes, murais…
PS:
Coincidentemente, essa semana foi publicado no Tipografeed um link para esse post que faz uma retrospectiva de 2014 através de fotos de letreiros, genial! <3
Além do Type Walk, o Paul Shaw também coordena o Legacy of Letters, um tour tipográfico de uma semana por várias cidades italianas somado a alguns workshops de caligrafia e letterpress. Sonho!
Aproveitem para revirar o site dele que tem dezenas de artigos e histórias interessantes 🙂
Ultimamente o interesse pela tipografia só aumenta e muita gente tem me perguntado sobre a pós em Buenos Aires. Na minha última palestra, no Coletivo 334, falei bastante sobre isso e vou tentar resumir um pouco nesse post, para deixar as informações sempre acessíveis.
CDT – Carrera de Diseño de Tipografía
O curso é uma especialização em design de tipografia, com um ano e meio de duração (e mais seis meses de projeto) ministrado na Universidad de Buenos Aires, com aulas 2 vezes por semana (quintas à noite e sábados de manhã). Neste ano estão num esforço para elevar a pós ao nível de mestrado, tendo então a duração de 2 anos. Maiores informações aqui.
Update: O curso agora é um mestrado com 2 anos de duração! As aulas continuam sendo quintas à noite e sábados de manhã, e agora além de criar a sua fonte, você também tem que trabalhar a aplicação da mesma em algum projeto gráfico como parte da entrega final. Acesse o site do curso para saber mais.
A cursada enfatiza dois eixos principais: design de tipografia e produção de conteúdo acadêmico (monografia), e portanto as aulas se dividem entre exercícios práticos e aulas teóricas para fundamentar e desenvolver as habilidades para o design de tipos, e matérias, seminários e discussões (semiótica, linguística, sociologia, teoria do design etc) para embasar o desenvolvimento da monografia. Ambos os eixos vão se desenvolvendo passo a passo de maneira bem didática, aumentando o nível de dificuldade conforme o curso avança. Partimos da caligrafia voltada para a tipografia (visando aprender fundamentos tipográficos como espaçamento, peso, ângulo, contraste etc), para então termos aulas de desenho analítico, observando tipografias já existentes, soluções e aprimorando a técnica do desenho.
Em seguida começamos a desenvolver sistemas tipográficos baseados em parâmetros pré-definidos (por nós mesmos); primeiro fizemos alguns signos (em grupo e orientados por Pablo Cosgaya), depois uma fonte completa (em dupla, orientados por Rubén Fontana), e por último tivemos que criar uma família tipográfica inteira (pelo menos 4 variáveis) individualmente. Neste projeto, a turma se divide em 6 grupos, cada grupo tem um tutor responsável, mas o projeto é individual. Os tutores desta etapa foram Eduardo Tunni, Dario Muhafara, Pablo Cosgaya, Aldo de Losa e Ale Paul.
Aula de caligrafia
Aula de caligrafia
Aula de desenho
Exercício de desenho
Exercício de desenho
Exercício
Visita tipográfica
Visita tipográfica
Fontlab e galletitas
Aula con Ruben
Crítica de trabalhos
Aula de composição tipográfica
Aula de composição tipográfica
Aula de composição tipográfica
Estudando…
Projeto final – Tutor Dario Muhafara
Projeto Final
Fontlab e galletitas
Discutindo os projetos
Mais crítica…
O curso é ideal para quem quer aprender a desenvolver tipografias e ter uma experiência acadêmica. A maior parte dos alunos chega sem nunca ter feito uma fonte e sai com resultados de alta qualidade. O curso é extenso e demanda muito estudo e prática além das aulas, mas é o tempo necessário para reter os ensinamentos e aprender a enxergar tipograficamente. A próxima turma terá início em abril de 2018. Para informações e inscrições mandem e-mail para a coordernadora, Marcela Romero maestriaentipografia@gmail.com
Outros cursos
Tiralinhas – Silvia Cordero
Tiralinhas – Silvia Cordero
Tiralinhas – Silvia Cordero
Lettering – Ale Paul
Lettering – Ale Paul
Lettering – Ale Paul
Letras dibujadas – Silvia Cordero
Letras dibujadas – Silvia Cordero
Um dia de prática no mini quartinho
Brush pen – Silvia Cordero
Algumas pessoas vêem meu trabalho na internet e me perguntam se o curso ensina caligrafia e lettering. Claro que uma coisa alimenta a outra, mas lá não tive aulas específicas de caligrafia expressiva ou lettering propriamente dito, é tudo focado para o design de fontes.
Update:A última turma (2017) teve sim alguns seminários (aulas especiais, como um workshop) de lettering.
Eu aproveitei a estadia em Buenos Aires para fazer outros cursos nesse sentido e para praticar bastante também. Veja abaixo alguns links para os locais que oferecem bons cursos de caligrafia, lettering e ilustração, que são uma opção também para quem busca cursos de curta duração:
Buenos Aires é uma cidade muito rica culturalmente e tem uma ótima qualidade de vida, transporte público eficiente, praças e áreas verdes. Estudar lá é diferente de estudar no Brasil. Pelo menos nas experiências que tive, achei que eles têm visões e métodos de ensino bem distintos do que estamos acostumados. O modo e o custo de vida na cidade vai depender muito do que você escolher, se quer trabalhar lá ou freelar pro Brasil, morar sozinho ou dividir apartamento. Eu economizei bastante antes de ir e fazia alguns freelas pro Brasil para poder me dedicar mais ao curso. Como fui sozinha e voltava pro Brasil com certa freqüência, morei em vários lugares e tive vários tipos de experiências (boas e ruins), mas a gente se joga no mundo pra isso mesmo.
Uma dica que eu dou é resolver logo suas burocracias de visto e diploma e chegar com uma boa reserva de dinheiro pra pagar essas coisas. É algo que pode dar uma certa dor de cabeça. Quem tiver alguma dúvida mais pontual pode entrar em contato comigo 🙂
Update: considere que esse era o cenário nos anos de 2013 e 2014, quando cursei. A economia e a política mudou muito nos dois países ultimamente, então não sei precisar a situação atual.
O Diatipo deste ano foi considerado por muita gente o melhor de todos os tempos. O evento cresceu, ganhou destaque e superou as expectativas dos participantes. Com um peso pesadíssimo entre os palestrantes – Matthew Carter – e muitas histórias importantes da tipografia no Brasil e no mundo, ficou difícil escolher qual foi a melhor palestra.
O evento pra mim começou na quinta-feira, no workshop da Laura Serra. A proposta era desenhar uma determinada letra a partir de instruções aleatórias que incluíam o estilo, partes de alguma planta e duas cores. Ela nos apresentou a técnica de um pincel bem fininho e longo, o schlepperpinsel, ideal pra fazer uns floreios bem fluidos. O resultado geral foi impressionante, todo mundo saiu da sua zona de conforto e tivemos muitos desenhos lindos! E no fim, as letras eram para formar uma frase (veja fotos do workshop).
Na manhã de sexta-feira participei do Type Critique com o Matthew Carter, levei meu humilde projetinho pra ele ver! Ele me corrigiu algumas coisas e foi um fofo, uma honra que ele tenha visto a minha primeira fonte solo 🙂
Alexandre Wollner. Foto do evento.
À tarde começaram as palestras e o primeiro convidado foi Alexandre Wollner. Ele falou sobre alguns projetos, fez piada sobre o logo fálico da Cinemateca Brasileira e representou o design moderno brasileiro. Disponível online.
Tony de Marco. Foto do evento.
Em seguida Tony de Marco fez uma apresentação em ordem cronológica de quase todas as suas fontes e projetos. Tivemos de certa forma um panorama do cenário pós-moderno experimental dos anos 1990 e 2000. Confira os trabalhos mais recentes no site de sua type foundry Just in Type.
Gustavo Ferreira. Foto do evento.
Logo depois tivemos Gustavo Ferreira mostrando suas fontes-código. Depois de duas palestras que representavam a história do século XX na tipografia no Brasil, Gustavo nos deu uma amostra do que pode ser o futuro. Pude fazer seu curso de Python no início do ano e entender melhor como funciona a linguagem e o que se pode fazer com ela, além de começar um projetinho tipográfico nos mesmos moldes (infelizmente o projeto está na gaveta pois minha cabeça ainda dói só de pensar em programação hehe). O conteúdo da palestra pode ser visto neste link.
Stephen Coles. Foto do evento.
Após o intervalo, chegou a vez de Stephen Coles. Editor do blog Typografica e do projeto Fonts in Use, Stephen é filho de designers e cresceu numa casa cercada de objetos de design. Este fator e a obsessão por classificações – primeiro de pássaros, depois de tipografias – o levaram a se tornar consultor de tipografias, entendendo do uso e da classificação de fontes. Sua palestra propôs uma analogia entre tipografias e cadeiras, onde cada qual tem exemplares que dependendo do design, do conforto e da necessidade de uso, se adequa melhor a um propósito. Foi uma palestra muito rica em termos educacionais quanto ao uso e seleção de tipografias. Assista.
Van Lanen
Mantinia
Walker
Van Lanen
Matthew Carter. Foto do evento.
Matthew Carter foi o último a subir no palco neste primeiro dia de palestras. Considerado o type designer mais importante do nosso tempo e criador de muitas das tipografias mais usadas e conhecidas do mundo, este lord simpaticíssimo apresentou 4 de seus projetos que considera mais ousados. Mantinia, baseado em letras cavadas em pedra por durante o Renascimento por Andrea Mantegna; Walker, projeto para a revista do Walker Art Center em Minneapolis; o projeto institucional e sinalético para a Universidade de Yale; e Van Lanen, uma tipografia que nasceu em 2002 para ser gravada em madeira e impressa no Hamilton Wood Type. Leiam esse post sobre a Van Lanen e assistam a palestra.
Rodolfo Capeto
O segundo dia começou bem cedo com a palestra de Rodolfo Capeto, professor da ESDI que criou a família tipográfica para o dicionário Houaiss, quando o Brasil ainda brincava de fazer fontes experimentais. Ele falou sobre a história da tipografia no Brasil desde os tempos de colônia e deu uma pincelada sobre seus trabalhos.
Logo após, Marcos Mello trouxe um bate papo com alguns senhores (Pérsio Guimarães, George Dimitrov e Darci Callegari – Jacaré) sobre os tempos áureos da tipografia e linotipia. Foi uma conversa descontraída e bem humorada com os homens por trás das máquinas, passando pelo processo de trabalho daquela época até as dificuldades com os censores durante a ditadura. Achei muito interessante pois muito se fala e se estuda sobre as técnicas de impressão passadas, mas poucas vezes humanizamos a situação até que nos dispomos a executá-las ou a ouvir as histórias de quem o faz.
Trocamos de protagonistas e a conversa seguiu com o assunto mulheres na tipografia. Cecilia Consolo, Priscila Farias e Fernanda Martins falaram um pouco de suas trajetórias na organização de eventos, documentação, pesquisa tipográfica e design de tipos, e debateram essa tal questão sobre mulheres na tipografia, se o gênero influencia em alguma coisa, etc (sabemos que não). Pelo título do debate o papo poderia ter assumido um viés mais político. Ou seria mais plausível que cada uma delas, dada sua importância no cenário tipográfico brasileiro, tivesse o mesmo tempo que os outros palestrantes para falar de seus projetos profissionais.
No final a Marina Chaccur comentou sobre esse artigo da Raquel Pelta que fala sobre a posição das mulheres no design no decorrer da História (leiam!), e eu recomendo também essa matéria com a argentina Griselda Flesler sobre o mesmo assunto. Tem também o site BioGráficas, que tenta fazer um compendio das designers latino-americanas.
Fernando Díaz chegou depois do almoço para nos contar sobre a tipografia no Uruguai e o trabalho que ele vem fazendo com design de tipos na TipoType e as atividades na Sociedad Tipográfica de Montevideo. Foi uma palestra leve e inspiradora.
Novo cenário no Type Design. Da esquerda para a direita: Diego, Rodrigo, Crystian, Daniel e Henrique.
Em seguida tivemos uma mesa sobre o novo cenário do type design no Brasil. Crystian Cruz comandou a mesa fazendo perguntas a Henrique Beier (Harbor Type), Daniel Sabino (Blackletra), Diego Maldonado (Just in Type) e Rodrigo Saiani (Plau). Os 4 discutiram a possibilidade de viver de type design no Brasil (sim, é possível) e questões que surgem com a nova profissão como regulamentação, licenças etc.
Para finalizar, Ramiro Espinoza trouxe a história e toda a investigação em torno de seu projeto ‘Krul’, uma fonte baseada nos letreiros de fachadas de café de Amsterdam criados nos anos 1940 pelo letrista Jan Willem Joseph Wisser, num processo de pesquisa, resgate e recuperação das formas de sua caligrafia.
O que faz do Diatipo um grande evento não são somente as palestras e a enorme contribuição gerada ao conhecimento tipográfico, mas também o grande encontro que se promove entre aficionados da tipografia de todo Brasil. É o momento para se conhecer e rever as faces por trás de tantas letras que vemos e admiramos pelo Facebook, Instagram e outras redes, e para interagir de verdade com os profissionais que nos inspiram (sem limites e sem fronteiras). Por isso, aguardo ansiosamente o próximo, deixo um beijo a todos que conheci esse ano e parabenizo a organização por mais um Diatipo impecável!
(Não tirei selfie com o Matthew Carter :()
* Fotos do primeiro dia gentilmente roubadas do álbum oficial.