Últimas edições do workshop em 2015

Já estamos no último trimestre de 2015, dá pra acreditar? Muita coisa aconteceu, e também muita gente passou pelo workshop Desenhando letras como se não houvesse amanhã. Entre profissionais de design, publicidade, curiosos de outras áreas, e gente querendo aprender um novo hobby (costumo brincar que desenhar letras é mais divertido que pintar livros de colorir), já formamos cinco turmas de “letristas” em São Paulo, duas no Rio de Janeiro e uma em Belém. Independente do ramo de atuação, tenho certeza que todos saíram com um olhar mais apurado sobre as letras e com o bichinho da tipografia instalado (aquele que faz a gente ficar prestando atenção na tipografia em placas, fachadas, anúncios, etc). Muito obrigada a todos pelo interesse e dedicação, de verdade!

O workshop também teve suas versões para oficina no SESC Campo Limpo e para a graduação no IED – Instituto Europeu de Design. Faremos as últimas edições do ano nos próximos meses, dias 24 e 25 de outubro em São Paulo, e 7 e 14 de novembro no Rio de Janeiro.

Em 2016, teremos algumas mudanças; visto que há uma grande demanda por maior aprofundamento em alguns aspectos do formato atual, o workshop deve se desmembrar em 3 cursos diferentes, ficando a opção do “intensivão” em um fim de semana apenas para as outras cidades mais distantes. Fique atento para mais detalhes sobre esta novidade.

Aproveite então para se inscrever nas próximas turmas!

São Paulo, 24 e 25 de outubro
Rio de Janeiro, 7 e 14 de novembro

E garanta que sua cidade esteja no roteiro do ano que vem! Preencha o formulário de interesse 🙂

Afinal, qual é a diferença entre lettering e caligrafia?

Você sabe?

A caligrafia é a escrita com fim em si mesma. É a arte de executar a escrita seguindo modelos caligráficos (existiram vários modelos ao longo da História). Depende de habilidade técnica e prática, pois o produto final da caligrafia é resultado direto das peculiaridades do instrumento e da habilidade manual do calígrafo.

caligrafia

Já o lettering é o ato de desenhar, de traçar letras que sejam adequadas a um fim único e específico, utilizando formas compostas. A ação de desenhar uma letra se desprende das limitações do instrumento utilizado, pois ao traçar os detalhes surge a liberdade para criar outras soluções, que não necessariamente derivem de uma pena caligráfica ou de um modelo de escrita.

lettering

Uma caligrafia pode virar um lettering?

Sim, um lettering pode nascer de uma escrita caligráfica que seja posteriormente retocada e manipulada, manualmente ou pelo computador.

Um lettering pode virar uma caligrafia?

Não. Um lettering pode imitar uma caligrafia, ou seja, um modelo caligráfico, mas por definição ele foi feito a partir do desenho de formas compostas e por isso não será uma caligrafia.

Eu preciso saber caligrafia para fazer lettering?

Não necessariamente. Por se tratar de desenho, basta ter um bom olhar para observar como são as formas das letras e então reproduzí-las. No entanto, tudo o que é relacionado às letras tem origem na caligrafia, por isso é preciso ao menos o conhecimento teórico em relação aos modelos e instrumentos caligráficos para executar um lettering conciso e coerente, mesmo que a intenção do autor seja subverter estes padrões.

E a tipografia?

A tipografia é um conjunto de matrizes de letras reproduzíveis e combináveis entre si. Cada caractere é como uma peça que compomos e usamos para formar o texto, tanto na tipografia tradicional, com tipos móveis, como na tipografia digital. No Brasil, convencionamos a chamar de ‘tipografia’ tudo o que é referente a letras, mas sempre que possível cabe dar o nome correto ao que estamos nos referindo 🙂

Aprendendo lettering online

A internet é uma coisa maravilhosa. Praticamente tudo o que você quiser aprender você pode encontrar em um vídeo, um texto, uma dica, ou pode perguntar para alguém. Nesse post eu vou passar pra vocês algumas impressões de cursos online de lettering que eu assisti. Acredito que quem tem a veia autodidata e realmente se envolve com as aulas pode aprender muito com esses vídeos. É claro que nada substitui o contato com um profissional e uma aula ao vivo, e para aprender sozinho você precisa elevar a sua auto-crítica ao máximo, mas sempre é um bom começo.

Os cursos abaixo são do Skillshare. Lá você pode assistir qualquer aula (em inglês) durante 14 dias sem pagar nada. Se quiser continuar assistindo eles cobram uma taxa 10 dólares por mês. Todos eles dão umas dicas de Illustrator também, seja para finalizar ou desenhar.

The First Steps of Hand-Lettering: Concept to Sketch (Lettering I)
The Final Steps of Hand-Lettering: Color & Texture (Lettering II)

Esses dois cursos da Mary Kate McDevitt dão uma introdução geral sobre o desenho de letras, algumas dicas para não errar coisas básicas e uma proposta de processo criativo. Ela também mostra como finaliza seus trabalhos sem perder as características do desenho, mantendo as texturas e imperfeições.

Lettering for Designers: One Drop Cap Letterform at a Time

Essa aula da Jessica Hische é legal para conhecer o processo criativo dela. Ela não explica muito sobre a parte de desenho, mas mostra todo o processo para a criação de uma capitular e dá o be-a-bá sobre vetorização de letras (onde colocar os pontos, como regular as curvas etc). Também fala sobre como criticar o próprio trabalho.

Exploring Letterforms through Monograms

Will Pay mostra todo o processo de criação de um monograma. Ele foca bastante na questão de inspirar-se em coisas da sua cidade, do seu ambiente, em objetos e em desenvolver o olhar para as formas de letras que você pode encontrar em todo lugar. Além disso ele testa e vai fazendo um brainstorm de diversas possibilidades de estilo, adornos e detalhes que podemos agregar para criar letras mais originais. E depois mostra alguns truques de vetorização no Illustrator.

Lettering Made Simple: Efficient Methods for Custom Type

Se você acha que essa coisa de desenhar à mão não dá certo pra você, mas ainda assim quer entrar na onda do lettering, tem esse curso com o Brandon Rike, onde ele mostra como manipular uma fonte para chegar em um lettering.

Los secretos dorados del lettering

Quem tem dificuldade no inglês pode tentar as aulas da Martina Flor, em espanhol. O curso dela é super completo, indo desde onde encontrar inspiração até como digitalizar o desenho e se auto criticar, passando pelas técnicas de desenho que ela usa. Custa 35 dólares e está no site Domestika, outra fonte muito boa de cursos online, todos em espanhol.

Update: Acaba de sair o curso da Martina Flor em inglês pelo Skillshare. Aproveitem! 🙂

Estudar tipografia na Argentina

Ultimamente o interesse pela tipografia só aumenta e muita gente tem me perguntado sobre a pós em Buenos Aires. Na minha última palestra, no Coletivo 334, falei bastante sobre isso e vou tentar resumir um pouco nesse post, para deixar as informações sempre acessíveis.

CDT – Carrera de Diseño de Tipografía

O curso é uma especialização em design de tipografia, com um ano e meio de duração (e mais seis meses de projeto) ministrado na Universidad de Buenos Aires, com aulas 2 vezes por semana (quintas à noite e sábados de manhã). Neste ano estão num esforço para elevar a pós ao nível de mestrado, tendo então a duração de 2 anos. Maiores informações aqui.

Update: O curso agora é um mestrado com 2 anos de duração! As aulas continuam sendo quintas à noite e sábados de manhã, e agora além de criar a sua fonte, você também tem que trabalhar a aplicação da mesma em algum projeto gráfico como parte da entrega final. Acesse o site do curso para saber mais.

A cursada enfatiza dois eixos principais: design de tipografia e produção de conteúdo acadêmico (monografia), e portanto as aulas se dividem entre exercícios práticos e aulas teóricas para fundamentar e desenvolver as habilidades para o design de tipos, e matérias, seminários e discussões (semiótica, linguística, sociologia, teoria do design etc) para embasar o desenvolvimento da monografia. Ambos os eixos vão se desenvolvendo passo a passo de maneira bem didática, aumentando o nível de dificuldade conforme o curso avança. Partimos da caligrafia voltada para a tipografia (visando aprender fundamentos tipográficos como espaçamento, peso, ângulo, contraste etc), para então termos aulas de desenho analítico, observando tipografias já existentes, soluções e aprimorando a técnica do desenho.

Em seguida começamos a desenvolver sistemas tipográficos baseados em parâmetros pré-definidos (por nós mesmos); primeiro fizemos alguns signos (em grupo e orientados por Pablo Cosgaya), depois uma fonte completa (em dupla, orientados por Rubén Fontana), e por último tivemos que criar uma família tipográfica inteira (pelo menos 4 variáveis) individualmente. Neste projeto, a turma se divide em 6 grupos, cada grupo tem um tutor responsável, mas o projeto é individual. Os tutores desta etapa foram Eduardo Tunni, Dario Muhafara, Pablo Cosgaya, Aldo de Losa e Ale Paul.

O curso é ideal para quem quer aprender a desenvolver tipografias e ter uma experiência acadêmica. A maior parte dos alunos chega sem nunca ter feito uma fonte e sai com resultados de alta qualidade. O curso é extenso e demanda muito estudo e prática além das aulas, mas é o tempo necessário para reter os ensinamentos e aprender a enxergar tipograficamente. A próxima turma terá início em abril de 2018. Para informações e inscrições mandem e-mail para a coordernadora, Marcela Romero maestriaentipografia@gmail.com

Outros cursos

Algumas pessoas vêem meu trabalho na internet e me perguntam se o curso ensina caligrafia e lettering. Claro que uma coisa alimenta a outra, mas lá não tive aulas específicas de caligrafia expressiva ou lettering propriamente dito, é tudo focado para o design de fontes.

Update: A última turma (2017) teve sim alguns seminários (aulas especiais, como um workshop) de lettering.

Eu aproveitei a estadia em Buenos Aires para fazer outros cursos nesse sentido e para praticar bastante também. Veja abaixo alguns links para os locais que oferecem bons cursos de caligrafia, lettering e ilustração, que são uma opção também para quem busca cursos de curta duração:

Morar em Buenos Aires

Buenos Aires é uma cidade muito rica culturalmente e tem uma ótima qualidade de vida, transporte público eficiente, praças e áreas verdes. Estudar lá é diferente de estudar no Brasil. Pelo menos nas experiências que tive, achei que eles têm visões e métodos de ensino bem distintos do que estamos acostumados. O modo e o custo de vida na cidade vai depender muito do que você escolher, se quer trabalhar lá ou freelar pro Brasil, morar sozinho ou dividir apartamento. Eu economizei bastante antes de ir e fazia alguns freelas pro Brasil para poder me dedicar mais ao curso. Como fui sozinha e voltava pro Brasil com certa freqüência, morei em vários lugares e tive vários tipos de experiências (boas e ruins), mas a gente se joga no mundo pra isso mesmo.

Uma dica que eu dou é resolver logo suas burocracias de visto e diploma e chegar com uma boa reserva de dinheiro pra pagar essas coisas. É algo que pode dar uma certa dor de cabeça. Quem tiver alguma dúvida mais pontual pode entrar em contato comigo 🙂

Update: considere que esse era o cenário nos anos de 2013 e 2014, quando cursei. A economia e a política mudou muito nos dois países ultimamente, então não sei precisar a situação atual.

Processo de um lettering

Na semana retrasada eu estive no workshop Brush Pen Letters do Jackson Alves. Embora eu já trabalhe com a brush pen há um bom tempo e tenha feito Fibra, o workshop da Silvia que apresenta bem como usar a ferramenta, sempre dá pra aprender alguma coisa nova a partir da abordagem de cada profissional. Além disso eu gosto de passar o dia todo desenhando letras como vocês já devem ter percebido 😀

Sempre que estou num workshop com a mente apta ao aprendizado eu sinto que a experimentação flui um pouco melhor, e procuro usar os exercícios que são propostos para criar algo que não esteja na minha listona listinha de projetos. Desta vez, entre outras coisas, aproveitei a dica do Jackson para fazer um lettering desenhando com hachura (estou bem mais acostumada a desenhar a partir do contorno). A técnica é também muito usada para o desenho de fontes e vocês podem ver neste vídeo abaixo, com Gerrit Noordzij, tipógrafo holandês que disseminou essa maneira de desenhar:

[vimeo http://vimeo.com/10521941]

No meu caso eu peguei uma lista de palavras que tinha no celular, escolhi “Youth” e comecei a rabiscar. De primeira saiu uma cursiva bem clássica. Analisando depois, quis aumentar o contraste entre os traços, até que resolvi fazer super exagerado, afinal o legal do lettering é tentar ir além do que a caligrafia ou a tipografia podem fazer.

lettering_processo1

O segundo sketch que fiz pra aumentar o contraste acabou saindo bem esquisito hehehe… Fui aumentando o peso dos traços sem pensar muito, foi ficando expandido e não era essa a minha ideia. Dá-lhe mais papel vegetal para corrigir o espaçamento, aumentar a altura de x, condensar e definir melhor os floreios.

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Do terceiro sketch eu resolvi partir logo para a vetorização e fazer os ajustes finais, padronizando espessuras, inclinação e bifurcações. Fiz tudo no FontLab.

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… E o resultado foi esse:

lettering_processo6

Agora um gifzinho 🙂

lettering_processoGIF